quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A-formalidade

Eu não deveria, a essa altura, ficar impressionado com pessoas cujas atitudes revelam-se desprovidas de educação. Mas, não: continuo me assustando. A cada dia, há novos e numerosos exemplos: gente que não respeita o nosso horário de aulas (e, portanto, nem aquele durante o qual não estamos em aula); gente que confunde a cordialidade com que trato as pessoas em geral com falta de distanciamento profissional e respeito, portanto. Gente que, atrasada, continua a falar sem parar durante as aulas, ainda que os assuntos do dia sejam absolutamente relevantes. Truísmos de minha parte, não são? Pois é: o melhor é que, provavelmente, sejam as mesmas pessoas que vivem a exigir tanto e tudo de todos os outros. Afinal, falta-lhes a noção do alheio e, claro, uma dose bem-vinda de auto-crítica (De Crônicas Vorazes, no prelo).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Um árcade

Qual um pastor em plena selva de granito e piche a ler coisas árcades, volveu-me este dia melancólico. Se por esse ou outros motivos, ou de tanto ler os versos líricos de um Tomás Antônio Gonzaga (1744 - 1810) - Ouvidor do Reino, vindo de Portugal para as Minas Gerais, no século XVIII - só sei que me concederam as musas (as memórias ou o tédio, simplesmente); ou adveio o desejo de ouvir os ingleses do Echo and the Bunnymen, em especial The killing moon: "Fate, up against your will (...) He will wait until you give yourself to him". Ah, montar imagens, Marília, em cores, pista de dança, perfume e dezembro enebriado de cervejas e possibilidades. Montemos a noite de nostalgias com esta quadra de Gonzaga: "Não sei, Marília, que tenho,/Depois que vi o teu rosto; Pois quanto não é Marília,/Já não posso ver com gosto." Como dizê-lo e mais?

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Das mensagens indesejáveis

Desde 1997, quando passei a contar com um número acumulativo de contas de e-mail, tenho me deparado com mensagens as mais interessantes, que tratam dos assuntos mais diversificados e irrepetíveis. Afora o tom sabidamente irônico do que se disse aqui, pareceu-me oportuno tecer uma breve consideração sobre o período "Eu mereço, eu posso!", que tem chegado a uma das "caixas de entrada", com referência ao fato de alguém ter o "mérito" e o "poder" de queimar sua epiderme (com ou sem sol, mas sempre sob o efeito da radiação, esteja claro) a tempo de se apresentar de outra forma, creio eu que em termos estéticos, para o verão. Ah, sim, o verão. Tive ocasião de dizê-lo em outro lugar que o mundo é um açougue. (CHAUVIN, 2011). Pode ser que melhoremos, como seres humanos, racionais e sensíveis, evidentemente. Mas, enquanto substituirmos as poucas escolhas que julgamos caber a nós por afirmações que condicionam nossa "felicidade" ou "sucesso" à coloração mais ou menos apetitosa da pele, terei grande reserva a esse respeito. E no inverno, as pessoas menos bronzeadas não terão direito à vida? Ah, deixemos de conversa, dirão. "Há um dia de sol - para além da tela do notebook, não é mesmo?" Creio que esteja em tempo de usar um poderoso bloqueador solar, nem que seja a título de protestar em defesa dos homens pálidos, que não cabem na (i)lógica do bronze (metal, cor e carne) a todo custo.