domingo, 24 de novembro de 2013

Viva Walter Benjamin!

99% das pessoas que conheço - para mais ou para menos - adoram apontar o dedo em direção ao alheio, sem ao menos aparar as próprias unhas. Em entrevista recente sobre Walter Benjamin, o brasileiro Michael Löwy lembrou muito bem como dívida e culpa são os ingredientes fundamentais do mundo em que (infra)vivemos.

II

Ultimamente, há uma enorme confusão entre ética e moral - com prejuízo maior para aqueles tão orgulhosos de eleger determinado jogador de futebol como seu mártir milionário e ícone insuperável de "sucesso". Tratem de cuidar bem de seus professores, especialmente aqueles em que detectarem efetivo conhecimento, paixão pelo que fazem e respeito pelo auditório: este, invariavelmente múltiplo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Faits divers

São Paulo, 21h32, em acordo com o relógio do notebook. Acabo de retornar de uma série de jornadas, em companhia de meu amigo Gustavo. Assistimos a Gravidade, com Sandra Bullock e George Cloney - sorte de sessão da tarde mega-produzida, cujo argumento está muito longe do 2001, de Kubrick (como ousou sugerir um crítico empolgado com o clima tenso do filme). However. Na saída, descendo algumas quadras da Augusta, à procura de um lugar para jantar, topamos com uma dessas bandas de rua, composta por gente talentosa que disputa - equipada com bandolins, violinos, escaletas, vozes, percussão e violões -, as ondas sonoras com os ônibus e a fala histérica e em alto volume dos transeuntes que se creem em Londres ou New York, eternamente apressados e pomposos. De lá, depois de compreender melhor o nome da trupe-banda, paramos por mais tempo no aconchegante Dona Teresa, um bar que mistura música dançante com conversa de boteco. Muito interessante. Em seguida, faziam-se horas de nos despedirmos. "Em dezembro, marcamos outra, heim?". Um retorna pela Augusta; o outro, desce a Consolação. E desse trajeto Paulista - Augusta - Fernando de Albuquerque, fico com a sensação de que meu amigo encarará, com muita disposição, uma nova aventura em sua vida. Algo, a meu ver, bem superior, em termos narrativos, coesão e coerência, à película a que assistimos. Oh, sim Hollywood volta e meia concebe o mundo como algo binário e abstrato. Em boa parte das histórias, falta verossimilhança e avultam as vozes daqueles que alegam com desdém: "ah, eu só queria me divertir, mesmo". Sorte, Gustavo. Estarei em sua torcida, como sempre. Obrigado pela amizade.