sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O aluno justifica o professor

Vinte e duas e trinta e poucos minutos. Praticamente doze horas depois, estou de volta à pequenina rua onde moro. Ouço uma ex-aluna (e, na sequência, um grupo de jovens de sua idade) a gritar meu nome. E eu, que em outras circunstâncias, faria um leve cumprimento e trocaria palavra ou outra com eles, senti-me tão acolhido em plena rua, que me deixei ficar por lá, durante alguns minutos. Então, cruzam-se as vozes etilicamente sinceras: "você foi um dos professores com que mais aprendi!"; "professor, que alegria revê-lo, de verdade!"; "é claro que eu tive aula com ele. Eu era do 9o A!" "Velho, eu curto todos os textos que ele posta!". Ah, que grande alegria! Pessoas tão caras de um colégio de que sinto falta desde que o deixei, em julho de 2010, com grande pesar. "Tão vendo? Agora tô na balada com os alunos!", digo a eles. Surpresos por me verem na rua em tal horário, disparam: "O senhor tava ali (no Mackenzie)?", ao que respondo: "Não, não. Eu moro ali." "Aqui?!". Nessas horas, a gente se lembra porque passou a lecionar: por acreditar nos alunos - e não em deuses inventados pelos homens para nos culpar, punir e redimir. Muito obrigado, caríssimos estudantes crescidos. Não há sequer como cogitar uma vida melhor, se desprovido da oportunidade de lecionar. Fico feliz por ter feito algum sentido na trajetória de vocês. Aproveitem a festa da vida.