sexta-feira, 6 de março de 2015

Do barro à água

Acabo de voltar de uma loja que vende materiais de construção e utensílios domésticos, ali na Praça Roosevelt, em busca de um utensílio das antigas que eu vira por lá, meses atrás. O saldo foi muito positivo: subi a Consolação abraçado a um velho e bom filtro de barro que me fez evocar algumas cenas da infância, quando meu pai, meu irmão e eu andávamos a carregar coisas descomunais e imprevistas (caixas de livros, pequenos móveis, instrumentos eletrônicos e congêneres). É no mínimo interessante a experiência de passar por entre os carros a buzinar em fila, portando os plenos direitos que a condição de pedestre e memorialista me assiste. Logo mais, vou me servir de um bom copo de água bem vivo, apesar de estarmos a ingerir líquido proveniente do que se convencionou chamar de “volume morto”. Aliás, alguém terá reparado no teor algo paradoxal desta expressão? Ela me parece dizer muito sobre a gestão ambivalente de pessoas que vivem milimetricamente sobre o muro, negligenciando o que sugere a sigla de seu partido.