sábado, 29 de agosto de 2015

Notícia particular

Eu nunca tinha interagido, assim mais de perto, com um ramster: roedor de uns 100 gramas, com quatro patas e cinco dedos em cada, pelo curto cor de areia e olhos pretos. Graças a minha filha, pude ajudá-la a instalar nova moradia e apetrechos para dois deles e conhecê-los melhor. De quebra, ainda pude pegar o Harry* na mão (por segundos, é claro) e, melhor ainda, dar biscoitinhos de coco, que dois** deles tomaram das mãos, fazendo croc-croc diminuído como o tamanhinhozinho deles. Além de passar a tarde com Morgana, oferecendo-me para ouvi-la e, quem sabe, aconselhá-la da melhor forma, graças ao fato de ter deixado o controle da vaga do carro em algum lugar (de novo!), conheci a ciclovia da Amaral Gurgel, que depois emenda com a Avenida São João. Há dias extraordinários, em geral quando estou em companhia de pessoas (e animaizinhos) as mais caras. *Sim, sim, os quatro(!) ramster receberam nomes de personagens preferidos de minha filha. Coisa de quem adora os bichos e tem lá sua pitada genética de pai nerd, né? ** O terceiro estava dormindo dentro do tubo. O quarto sinalizou que não estava muito a fim de comer naquele horário.

domingo, 16 de agosto de 2015

Véspera (15.VIII.2015 - 17h43)

Você, que julga defender o Brasil social-democrático, ordeiro e ético, não se esqueça, amanhã, de vestir a camisa da honesta CBF. Também não deixe de alardear as suas falcatruas para sonegar impostos (são apenas 500 bilhões ao ano, 10% do PIB); a sua grande esperteza em furar filas e driblar o trânsito da cidade; a forma "inclusiva" com que trata as pessoas que moram na rua (aqueles seres que você vive a julgar e condenar como vagabundos, afinal eles "gostam" de estar em tal situação). Aproveite para rezar bastante, em nome de si mesmo; de cantar o hino nacional, cuja letra entende como poucos (leve a colinha, heim?); de elogiar o apoio oficial de seu partido ao Eduardo Cunha. Acima de tudo, não se esqueça: o seu partido é o único que não erra, que não desviou dinheiro da Petrobras; que não doou a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional a famílias israelenses. Que não desviou verbas bilionárias da Educação e da Saúde, especialmente nas Minas de Aécio. Afinal, os tucanos julgam estar ligados a uma classe social privilegiada, donos de cultura e conhecimentos em história acima da média nacional. Aproveite, também para defender a neutralidade da Rede Globo, a honestidade da Revista Veja e a matéria seletiva dos jornais "com credibilidade" da província de São Paulo.

Pauperização

Alguém poderia avisar os manuais de moda, design e arquitetura que temos pelo menos duas novas cores: o verde lantejoula e o amarelo CBF: um a mostrar a confusão entre esperança e passeio raivoso pela tarde; o outro a misturar nacionalismo futebolístico com caráter nacional, ética patriótica e bondade de ocasião. Não por acaso, azul com amarelo dá em verde: novíssima cor com que se vestem os hipócritas. Por definição, gente a quem falta autocrítica e imparcialidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Polarização

Diante das (nem tão) recentes demonstrações de desafeto, especialmente por intermédio das redes sociais, ocorreu-me sugerir que as polarizações entre partidários e antipartidários sempre estiveram em campos opostos, desde os tempos da Regência. A questão é que, quanto mais tempo o partido vermelho permanece no poder, mais isso incomoda os que se supõem defender, com lógica, imparcialidade e coerência, a legenda azul e amarela (e companhia) - grupo que de nacionalista não tem muita coisa, exceto a mania insuperável de se considerar gente melhor e mais instruída que todo o restante da população brasileira, especialmente se votar em outra coisa ou defender a igualdade social. Resumindo, este país só pôde ser chamado de conciliador enquanto os conservadores (e privatistas) estiveram no poder, como historiadores, filósofos de araque e jornalistas que vivem a repisar a falácia de que são neutros. Agora, a conciliação é uma postura tida por impossível, como salientou um dos fundadores da ala a que me refiro. Continuando... No fim das contas, quando a história e as notícias são escritas por determinados grupos de poder - feito as emissoras e revistas que conhecemos e os jornais que vamos desconhecendo -, é de bom tom dizer que há concórdia. Evidentemente, quando os considerados pobres, populistas e (únicos) corruptos assumem o poder, são alvo dos ataques mais tacanhos, que vão de comentários sem fundamento ("olha o look da Presidenta! olha como ela fala estranho! ela pegou em armas! eu odeio...eu odeio...porque sim") a definições classistas, que além de revelar que tais sujeitos se colocam num patamar sociocultural acima dos demais, visam a desqualificar qualquer posicionamento de gente instruída e bem alimentada com rótulos (chamado-nos de "esquerda caviar" ou coisa que o valha) com vocabulário que tomam emprestado daquele periódico, à beira da falência, que vive a manipular fotos e textos. Política e politicagem são coisas bem distintas. Tomar partido e ser politizado, também. Sempre ouvi dizer que a razão não costuma estar do lado de quem grita, em lugar de propor um efetivo diálogo para descobrir o que vai mal e aprimorar o que vai bem. Na certa, estou errado em simpatizar com gente menos favorecida em diversos aspectos; mas, em minha trajetória, sempre ajudei muita gente, dando aulas em ONGs, sendo solidário a greves de outras categorias, quando justas etc. Acima de tudo, comparo jornais e, há tempos, desconfio do que dizem os canais de rádio e televisão. Muitas coisas há que melhorar no país, no estado, na cidade; isso não quer dizer que precisemos dinamitar o que foi feito e possamos ignorar, incólumes, os benefícios que foram trazidos. As pessoas e coisas não são estanques; mas no momento em que uma penca de candidatos (com várias denúncias criminais nas costas) e atores (a mando de determinada emissora) vai à televisão para conclamar mais um, mais um "impeachment", só posso pensar que se trata de gente que confunde "desgostar" de um partido com "consciência de classe".