domingo, 24 de janeiro de 2016

Piratininga

O Estado é laico
(E a Câmara de Vereadores leva o nome de José de Anchieta).
O Estado é ordeiro
(Altaneiros cidadãos, com carrões à prestação, passeiam indiferentes por entre o exército de miseráveis).
O Estado é nacionalista.
(E o povo alternativo fez do Halloween seu feriado predileto).
O Estado tem lugar para todos
(Desde que todos refira-se à "gente de bem", pensamento do século XVI).
"Gente de bem", hoje, são aqueles que estudam, trabalham e perseveram
(Com a ajuda obrigatória e constante de seus familiares, da mesada até o escritório montado).
O Estado representa o povo
(Inclusive a parcela contrária às novas estações de metrô, corredores de ônibus e ciclovias).
O Estado é democrático
(Por isso zomba de quem pensa diferente, renega a diversidade e elogia o intervencionismo made in USA).
"A nossa bandeira jamais será vermelha"
(Porque seus habitantes ignoram o que significa o "verde e louro" de sua flâmula).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Descontrole remoto

Em uma coisa os terráqueos sobrepujaram a Tecnologia: andávamos desconectados (uns dos outros) muito antes do wireless.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sebastião José de Carvalho e Melo

No firme propósito de me dedicar prioritariamente aos assuntos da "Colônia" luso-brasileira, propus-me a tarefa de estudar o perfil e a atuação do Marquês de Pombal (1699-1782). Para isso, acerquei-me de livros e artigos relativos ao período em que vigorou o Reinado de Dom José I (1750-1777). Alguns deles fui buscar na Biblioteca da Faculdade de Educação; muitos outros encomendei em sebos e lojas. O assunto é tão fascinante quanto revelador das artimanhas do estadista e asseclas, em prol da chamada Reforma da Educação, transcorrida em Portugal e nas possessões ultramarinas a partir da década de 1760. Em tese, o assunto deveria interessar a um público muito maior, para além dos empenhados historiadores, educadores, literatos e advogados; mas, a exemplo do que acontece com as coisas de outro tempo (que demandam leitura disciplinada e atenta), olhar para o passado tem sido tarefa reservada a especialistas. Generalista que sou, não faço jus a um título tão enobrecedor: persisto em investigar as questões de meu interesse, no momento e à maneira como elas se me apresentarem, ao longo dos dias. Há muito para além de Machado de Assis, claro está.        

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A box from England

O ano de 2015 foi marcado pelo reencontro formal com Dame Agatha Christie (1890-1976) -- uma de minhas (re)leituras prediletas, desde a adolescência. No semestre passado ministrei pela primeira vez a disciplina O Romance Policial de Agatha Christie, o que despertou a curiosidade de mais de cem alunos, frente à oferta de apenas vinte e cinco vagas. Muito oportunamente, desde o ano passado a Editora Nova Fronteira reedita os livros da Rainha do Mistério, numa bela coleção em capa dura, que acompanho de perto. À medida que os exemplares chegam, substituo os antigos volumes e tresleio os romances protagonizados pelos geniais Hercule Poirot e Miss Marple. Hoje, revendo sucintas e pueris impressões sobre seus romances que escrevi a partir dos 14, 15 anos, decidi acondicionar as notas em uma caixa. Como tinha de passar pelo mercado, aproveitei para procurar por um recipiente à altura da nobre tarefa. Voltei da rua com iogurte, pão, Nutella, Paçoquinhas-rolha e uma caixa de 20 X 20 cm, que reproduz a bandeira da Inglaterra. Nada seria mais adequado para homenagear personagens cativantes e enredos envolventes, em obras permeadas pela síntese mordaz das figuras criadas pela notável romancista inglesa. Eh, bien.