segunda-feira, 23 de maio de 2016

Pausa

Hoje estreio na Revista Pausa, assinando a coluna Literatices -- a convite da editora Márcia Costa e da cronista Marina Ruivo. A ideia é que as colaborações sejam semanais e versem sobre assuntos não exclusivamente relacionados à "Literatura" (conceito recente, aliás, do ponto de vista histórico). No texto inicial falei sobre José Saramago. Não sei bem qual será o tema dos próximos dias e essa boa ansiedade em escrever, para além da forma e do currículo, talvez seja a maior motivação. A revista congrega gente muito boa, inclusive contistas, artistas, pensadores e críticos -- razão, outra, que me orgulha por integrar a equipe. Pausemos. http://revistapausa.blogspot.com  

sábado, 14 de maio de 2016

Tudo a Temer

Há uma lei no país:
A emissora global,
E os maiores jornais,
Mais a revista que vê;

Os homens de bem,
As mulheres puras,
Os anjos da lei,
E a toga suprema,

Só dizem verdades.
Somente eles sabem:
Apenas uns prestam;
A esquerda? Morreu.

Há outra lei no país:
A doutora que mal dirige,
(a faculdade das aves)
O empresário que manda
(nos seus vabagundos);

O professor mais nazista,
A coordenação insegura,
O comerciante inepto,
A gerente de banco:

Todos são neutros;
Afora aqueles que falam
De outros lugares,
Novos pontos de vista:

A inclusão dos demais,
A igualdade social,
A defesa dos outros:
Tudo virou ideologia.

Mas desfilar nas ruas
(De verde e amarelo)
Reiterar o senso comum
Xingar milhões de votantes

Isso tudo é legítimo
(Conforme anunciado
Em jornal e tevê,
Supremo e revista).

A nação, metade entreguista,
(da outra parte é cínica);
Grita nacionalismos que não há;
E o pouco que tem privatiza.

Anunciantes controlam os jornais,
Emissoras reforçam a boa moral,
Na mão de bem poucos, globais,
A nova consciência nacional.

"A nossa bandeira jamais será vermelha"
(Será verde amarela, cor de Bragança);
"É preciso botar ordem na casa e crescer"
(Afora a merenda e a previdência social).

"Chega de assistencialismo!"
(Doutores, devolvam as bolsas)
"Chega de tirania bolchevique!"
(Senadores, vençam nas urnas).