terça-feira, 11 de outubro de 2016

Das Coleções

Nunca fui muito bom em colecionar coisas. Selos, carros em miniatura, CDS promocionais etc. Mas eis que, nos últimos anos, consegui completar algumas delas. Na sexta-feira passada, adquiri o último número de uma série de "grandes nomes da literatura". Por isso, semanas antes havia me programado para declarar a todos (e especialmente para mim mesmo) que não me envolverei mais em desventuras do tipo. Especialmente no caso dos livros, a tendência é acumular títulos dobrados. Quando a edição antiga está anotada, o questionamento é ainda maior. Talvez só o fetiche explique a falsa necessidade de contar com duas (ou mais) obras idênticas de um autor que sequer pretendemos estudar. Exercendo uma severa autocrítica, "colecionismo" pode bem ser uma palavra enfeitada que utilizamos em lugar de "consumismo", puro e simples. Dizem que tomar consciência é percorrer metade do caminho que nos leva à mudança. Porventura os outros cinquenta por cento sejam fruto da convicção ou temperamento da idade. A ver. De todo modo, o auto-manifesto está proclamado: coleções, não mais. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O monstro do banheiro

Dia desses, a caminho de um curso extensão sobre o legado da ditadura no Brasil, tendo chegado bem antes do horário da aula, pedi um café e duas empadas num barzinho simpático, uma quadra antes do Shopping Santa Cruz. Tomei, comi, paguei. Em seguida, pedi para utilizar o banheiro. Três minutos depois, ainda na cabine, fui surpreendido com três pancadas muy civilizadas na porta. Irritado com a falta de compostura alheia, perguntei em voz alta: "-- Sim?!", ao que a criatura do Lago Ness não respondeu. Acelerei os procedimentos para antecipar a saída e, espantem-se, o sujeito havia desaparecido, talvez encolhido na mesa à esquerda, devidamente acompanhado. Coitada dessa mulher. Coitado desse bar. Coitada desta cidade. Eis o legítimo Estado-Violência. Bora escutar Titãs e ler Agamben?